A história do Parque Municipal

A história do Parque Municipal

História

Dois meses antes da inauguração da Cidade de Minas, a nova capital do Estado de Minas Gerais inaugurava o seu Parque Municipal, o atual Parque Municipal Américo Renê Giannetti, patrimônio natural em plena área central de Belo Horizonte. O arquiteto e paisagista francês, Paul Villon, sonhava em plantar na cidade o maior parque urbano da América Latina. Em estilo romântico inglês, o parque previa um cassino, um restaurante e um observatório meteorológico. As suas ruas, alamedas, lagoas e seus riachos foram traçados de forma livre pelo arquiteto. A arborização foi introduzida por meio de transplantação de árvores de grande porte, trazidas de diversos locais da cidade e do plantio de mudas produzidas em dois viveiros criados por Paul Villon, às margens do Córrego da Serra. Assim como a capital de Minas, o parque foi inaugurado com as obras incompletas. 

Implantado na Chácara Guilherme Vaz de Mello, conhecida como Chácara do Sapo, o parque serviu de moradia para o próprio Paul Villon e para Aarão Reis, engenheiro chefe da Comissão Construtora encarregada de planejar e construir a nova capital de Minas Gerais. Em 1924, o governador do Estado, Olegário Maciel, transferiu a residência oficial do governo para o Parque Municipal, até o final de sua gestão. 

O parque possuía, originalmente, uma área de 555 mil metros quadrados, tendo como limites as avenidas Afonso Pena, Mantiqueira, atual Alfredo Balena, Araguaia, atual Francisco Sales, e Tocantins, atual Assis Chateaubriand. A partir de 1905, inicia-se o processo de ocupação urbana na área destinada ao parque para construções diversas como a Faculdade de Medicina, o Centro de Saúde do Estado, a Moradia Estudantil Borges da Costa, o Teatro Francisco Nunes e o Colégio Imaco. Atualmente, de sua área original restam apenas 182 mil metros quadrados. 

Em janeiro de 1898, é inaugurado o Velo Club que passa a promover grandes festas esportivas com corridas de bicicleta, velocípede e a pé. No início do século XX, o Parque Municipal e a Praça da Liberdade tornam-se as principais referências da cidade para a realização de eventos. No pavilhão do clube, construído onde hoje está o Teatro Francisco Nunes, o público acompanha os eventos com apostas e torcidas. São realizadas, ainda, partidas de futebol e competições de natação nas lagoas. Em 1908, um grupo de adolescentes funda, no parque, o Clube Atlético Mineiro. 

Na década de 20, são instalados o gradil de ferro, o Coreto, a Estação dos Bondes (atual Mercado das Flores), a quadra de tênis e a pista de patinação. Do outro lado da Avenida Afonso Pena, o Bar do Ponto torna-se a principal referência do centro da cidade e, por sua proximidade da Estação de Bondes, tem sua área de influência ampliada para o interior do parque. A região é ponto de encontro de Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava e Emílio Moura. Na década de 30, o parque perde mais uma grande parte de sua área, agora para as construções do Palácio das Artes, Teatro Francisco Nunes, prolongamento da rua Pernambuco (atual Alamenda Ezequiel Dias) e da Cidade Universitária. Nesta área encontram-se hoje, entre outros, a Fundação Hemominas, o Hospital da Previdência e o Hospital Semper. Na década de 40, o movimento modernista invade a cidade.

No Parque Municipal, as grades de ferro são retiradas e uma série de eventos são realizados: piano ao ar livre, jogos de futebol, peteca, tênis e, principalmente, natação e remo. Intelectuais como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Hélio Pelegrino fazem do parque seu ponto de encontro. 

Em 1946, após a dissolução do Instituto de Belas Artes, o artista Alberto da Veiga Guignard transfere seu curso para o Parque Municipal. Em 1949, é inaugurado o Teatro Francisco Nunes. Na década de 50, o prefeito Américo Renê Giannetti realiza a primeira grande obra de reforma do parque com tratamento de água, recuperação dos jardins, asfaltamento das alamedas, implantação de uma fonte luminosa e uma "concha acústica" para apresentação de concertos ao ar livre. Nessa época, o parque recebe o nome de Parque Municipal Américo Renê Giannetti, em homenagem ao prefeito, que falece em 1954. Entre os anos 60 e 70, são inaugurados o Orquidário Municipal e o Palácio das Artes, e substituída a iluminação de lâmpadas incandescentes por de mercúrio. 

Em 1975, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) realiza o tombamento de todo o conjunto paisagístico e arquitetônico do parque por meio do Decreto n°17.086/75 que proíbe novas construções no local. Em 1977, as grades de ferro voltam a contornar o parque. Em 1992, realiza-se a segunda grande obra de reforma do parque com plantio de novas espécies arbóreas, implantação de sistema de irrigação, repavimentação das alamedas, instalação de novos portões de entrada e aparelhos de ginástica, além da construção de uma pista de caminhada com aproximadamente dois mil metros. Em janeiro de 2005, o Parque Municipal Américo Renê Giannetti passa a ser administrado pela Fundação de Parques Municipais (FPM). 

Vinculada à Secretaria Municipal de Políticas Urbanas, a FPM foi criada pela Prefeitura de Belo Horizonte com a finalidade de administrar e manter os parques da cidade. Em 2006, foram realizadas obras para adequação desses espaços à acessibilidade universal, reforma das pistas de caminhada e dos banheiros e pintura dos gradis externos e das edificações existentes. Diversos canteiros são revitalizados com plantio de mais de 160 mil mudas, e um projeto de controle de pragas é implantado.

Em 2007, a Fundação de Parques Municipais realiza a transposição das águas da nascente localizada na área da Fundação Hemominas para o parque, e inaugurou, em 9 de julho, a construção da Cascatinha na Lagoa do Quiosque. A mina, que integrava a área do Parque Municipal no projeto original de Aarão Reis, teve sua água canalizada para o Ribeirão Arrudas. Em 2008, foi inaugurada a segunda Cascatinha, no dia 5 de junho. As Cascatinhas complementam o trabalho de transposição das águas da nascente e conduz o volume captado para a Lagoa do Quiosque e dos Marrecos. A água alimenta as três lagoas do parque melhorando a qualidade ambiental desses espaços. 

informações do local
Endereço: Avenida Afonso Pena, 1377
Telefone: 31 3277-4161
Site: http://www.pbh.gov.br/parques
Horário de Funcionamento: 3ª a dom. e feriados das 6h às 18h (com entrada permitida até às 17h45)