Praça da Liberdade, do poder político à cultura

Considerado símbolo de poder no passado, a praça é um dos lugares mais bonitos da capital mineira

Praça da Liberdade
Praça da Liberdade
Pássaros sobrevoam o cenário que ainda é de pouca luz. O sol começa a aparecer enquanto algumas pessoas fazem alongamentos, apoiadas nas escadarias do coreto e nos bancos da praça ainda sem movimento. Tão logo o clima esquenta, os belo-horizontinos já circulam pelos arredores da praça que, aos poucos, se transforma num grande corredor de pessoas. Essa é umas das cenas diárias da Praça da Liberdade.

Construída na época da fundação da capital mineira, em 1897, a praça se tornou ponto de encontro dos moradores da cidade para caminhadas, corridas, passeios com a família e um bom bate-papo entre amigos. Inúmeros grupos circulam diariamente com o objetivo de praticar esportes e papear – coisa que mineiro adora fazer. Sem contar a empolgação das mães que levam seus filhos para tomarem aquele sol gostoso da manhã e também no finalzinho da tarde.

A movimentação logo cedo demonstra como os belo-horizontinos são ligados em esporte e se preocupam com a saúde. Há seis anos na cidade, o paraense, José Maria Pena acorda sempre por volta das quatro horas da madrugada: “todos os dias, às cinco da manhã, estou aqui na praça para fazer minha caminhada e jogar um pouco de conversa fora com meus amigos”, comenta. Já o construtor civil, Antônio Ravaiane, participa de um grupo muito animado chamado Amigos da Praça: “caminhar na Praça da Liberdade já faz parte da minha rotina antes de ir trabalhar, além de praticar uma atividade física, conheci novos amigos que me divertem muito”, revela o fiel frequentador.

Rodeada por árvores e fontes, frutos de um paisagismo muito peculiar, a Praça da Liberdade fica na região da Savassi, no encontro de quatro grandes avenidas: Cristóvão Colombo, João Pinheiro, Brasil e Bias Fortes. Devido a sua localização, a Praça da Liberdade também se tornou ponto de passagem para muitos trabalhadores da cidade. “Passo por aqui todos os dias, acho incrível como a praça é conservada e bem tratada. É muito bom descer do ônibus e atravessar a praça rodeada de muito verde e belos chafarizes”, comenta a funcionária pública Rogéria Martins. Os bancos da praça também viram parada de descanso no horário do almoço: “gosto de sentar aqui na praça pra passar o tempo, ler livros e jornais. Acho muito importante o povo de BH ter um lugar tranquilo pra descansar no dia a dia”, revela o mecânico Washington Oliveira.

Com traçado e jardins inspirados no Palácio de Versalhes – França, a praça conta ainda com coreto e fontes luminosas que encantam muitos que passam por ali antes de ir para escola. “Sempre que passo pela praça fico impressionada com a paisagem, às vezes, mudo até o caminho para poder ver o chafariz que sempre está ligado”, diz admirada a estudante Daniela Santiago.

Cortada por uma alameda principal rodeada por palmeiras, a praça tem em suas laterais jardins com gramado e possui várias árvores e plantas das mais diversas cores e espécies. Os monumentos chamam a atenção até mesmo de quem não é da capital mineira. “Vim para BH para estudar, imaginava uma cidade cheia de prédios sem nenhum verde. Sempre que passo por aqui tenho a sensação de que é possível ter áreas verdes em grandes centros e que essa iniciativa deveria ser expandida para outras capitais”, incentiva a universitária Suellen Raffoul.

Praça da Liberdade sempre foi símbolo de lazer e turismo na capital e a agora faz parte oficialmente do Circuito Cultural Liberdade, organizado em prédios históricos que representam a arquitetura dos primeiros anos da cidade.  O conjunto arquitetônico e paisagístico, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, amplia as atrações da região onde os moradores e visitantes buscam lazer, descanso e convívio.

leia mais sobre

A construção da Praça da Liberdade foi iniciada na época da fundação da nova capital mineira, entre 1895 e 1897. Erguida para abrigar a sede do poder mineiro, a praça concentra os prédios do Palácio da Liberdade e das primeiras secretarias de Estado. Ao longo dos anos, o complexo f... Clique aqui para ler mais sobre.

leia mais sobre

A construção da Praça da Liberdade foi iniciada na época da fundação da nova capital mineira, entre 1895 e 1897. Erguida para abrigar a sede do poder mineiro, a praça concentra os prédios do Palácio da Liberdade e das primeiras secretarias de Estado. Ao longo dos anos, o complexo foi recebendo construções de diferentes estilos arquitetônicos. Sede da Arquidiocese de Belo Horizonte, o Palácio Cristo Rei, construído na década de 1940, incorporou o estilo art déco, com revestimento em pó de pedra. Nas décadas de 1950 e 1960, prédios modernos foram incorporados ao conjunto, como o Edifício Niemeyer e a Biblioteca Pública Luiz de Bessa, ambos projetados por Oscar Niemeyer. Nos anos 80, em estilo pós-moderno, foi inaugurado o prédio onde funcionaram o Centro de Apoio Turístico Tancredo Neves e, posteriormente, o Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães, conhecido como Rainha da Sucata.

O conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Liberdade foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG) em 2 de junho de 1977. É formado por: Edifício Niemeyer, Secretaria de Estado de Defesa Social, Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas, Edifício Mape, edifício sede do Ipsemg, Secretaria de Estado da Fazenda, Secretaria de Estado de Educação, Reitoria da UEMG, Rainha da Sucata, Biblioteca Pública Luiz de Bessa, Palácio dos Despachos, Palácio Arquiepiscopal, Palacete Dantas, Solar Narbonae Casa Amarela.