A arquitetura de Belo Horizonte

O tradicional e o moderno convivem em perfeita harmonia entre os parques e edifícios da capital

As montanhas e o verde dos parques convivem num clima de perfeita harmonia com os inúmeros edifícios. Essa é uma das descrições mais comuns de quem observa os detalhes paisagísticos de Belo Horizonte, conhecida por receber bem os turistas e aconchegar seus moradores durante os 365 dias do ano. A cidade começou a se desenhar a partir do século XIX com um projeto moderno para ser a nova capital de Minas. O objetivo era fazer um modelo contemporâneo e eclético que, ao mesmo tempo, tivesse toques dos estilos neoclássico, neo-românicos e neogóticos.

 

Conheça alguns locais que são referência arquitetônica na cidade:

Local Informações
Praça da Liberdade: Concebida para ser o centro do poder executivo de Minas Gerais, a Praça da Liberdade foi construída a partir de 1895 para abrigar os prédios do Palácio do Governo e Secretarias do Estado, em estilo eclético com influência  neoclássica.  Ao longo de sua história a Praça incorporou novos edifícios com estilos arquitetônicos variados, como o Edifício Niemeyer e a Biblioteca Pública, em estilo moderno, arquitetadas pelo próprio Niemeyer, além do Palácio Cristo Rei em estilo Art Decó e o pós-moderno Rainha da Sucata. Atualmente, os prédios que sediavam as Secretarias de Estado abrigam os museus do Circuito Cultural Praça da Liberdade.
Museu Mineiro: O prédio do museu é o retrato da arquitetura que deu início à cidade de Belo Horizonte e é um exemplo de estilo eclético com elementos neoclássicos.
Igreja Nossa Senhora de Lourdes: Com estilo neo-gótico, teve sua construção concluída em 1923. Por ato do Papa Pio XII, foi considerada Basílica em 1958.
Tribunal de Justiça: Prédio erguido em 1911, com arquitetura eclética sob influência neoclássica.
Automóvel Clube de Minas Gerais: Um dos prédios mais luxuosos da capital. Foi construído na década de 20, com arquitetura eclético sob influência neoclássica.  
Edifício Acaiaca: Considerado símbolo da ousadia na arquitetura belo-horizontina, por causa das efígies de índios na fachada. O Acaiaca foi inaugurado em 1947 e possui estilo art-déco.
Conservatório UFMG: Inaugurado em 1926, o imponente prédio preserva o antigo, mas é preparado para oferecer modernidade em conforto e tecnologia. Suas salas receberam isolamento acústico, impedindo a interferência dos ruídos da Avenida Afonso Pena.
Centro de Cultura de Belo Horizonte: O Centro de Cultura Belo Horizonte distingue-se até hoje, em toda a cidade, como um exemplar da arquitetura neogótica, inspirada no gótico tardio português, denominado estilo manuelino (nome pelo qual o prédio costuma ser carinhosamente chamado).
Catedral da Boa Viagem: Em estilo neogótico, a Catedral da Boa Viagem abriga vitrais de grande beleza e seu altar-mor é todo trabalhado em mármore de carrara. Sua construção terminou em 1932.
Serraria Souza Pinto: A Serraria é um exemplo de arquitetura eclética, com diversas influências. Inaugurado em 1913, o prédio foi construído com estruturas de ferro. O projeto foi elaborado pelo arquiteto Augusto de Souza Pinto, sendo um marco para a época. Faz parte do conjunto arquitetônico da Praça Rui Barbosa e é utilizado como espaço para shows, feiras, congressos e exposições, comportando até cinco mil pessoas. 
Estação Ferroviária: Em 1894, ano da chegada da Comissão Construtora da Nova Capital, a cidade recebeu a pedra fundamental do prédio da antiga Estação Minas, previsto para ser erguido às margens do Ribeirão Arrudas. Quatro anos depois, em 1898, começou a funcionar o primeiro mostrador (relógio) público da cidade, instalado na torre deste prédio. Em 1906, a cidade, que já se chamava Belo Horizonte, recebeu um trabalho de embelezamento, incluindo a Praça da Estação. Já em 1920, o antigo edifício foi demolido e um novo inaugurado na rua Sapucaí em 1922. Finalmente, em 1924, a praça passou por uma reforma paisagística, incluindo canteiros ajardinados, dois lagos, escadas, esculturas representativas das estações do ano, além de dois tigres e dois leões. 
Viaduto de Santa Teresa: Uma das primeiras construções do Brasil a utilizar concreto armado. Liga o centro ao bairro Santa Teresa.
Torre Alta Vila: A mais alta torre do Brasil com acesso ao público, possui 101 metros de altura e 432 metros acima do centro de BH. A Construção futurista possui uma bela vista do topo.  
Sesc Centro Cultural JK:

Localizado no centro da cidade, o prédio é considerado uma das referências arquitetônicas da capital. É um espaço para o desenvolvimento e a divulgação de atividades em diversas áreas.

Complexo da Pampulha: Construído pelo ex-prefeito Juscelino Kubitschek, a partir dos anos 40, com o objetivo de modernizar a região da Pampulha. Para sua construção, o ex-prefeito  contou com a ajuda do arquiteto Oscar Niemeyer, do paisagista Burle Marx, do pintor Candido Portinari e dos escultores Alfredo Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa. O Complexo da Pampulha é reconhecido como uma identidade de Minas e símbolo da história do Movimento Moderno Brasileiro. Seus principais monumentos são o Iate Clube (1944), o Cassino (1943), a Casa do Baile (1943) e a Igreja São Francisco de Assis (1945).
Cassino / Museu de Arte da Pampulha:

Primeiro edifício do Complexo arquitetônico a ser construído, com influência de Le Corbusier, principalmente na fachada em vidro. O cassino funcionou até 30 de abril de 1946, quando o general Gaspar Dutra proibiu o jogo em todo território o nacional. Em 1957 passou a funcionar como Museu de Arte.

Igreja São Francisco de Assis:  Localizada na Lagoa da Pampulha, suas linhas arredondadas simbolizam a ousadia de Oscar Niemeyer. O projeto é considerado um marco da arquitetura moderna brasileira e sua construção terminou em 1945.  No exterior da igreja há um painel de azulejos, em tons azuis, de autoria de Candido Portinari, representando São Francisco de Assis. No batistério, coro, púlpito e nas bancadas laterais, existem outros painéis de azulejos, também criados por Portinari. Nas laterais externas, painéis abstratos de pastilhas, do artista Paulo Werneck. Os jardins que estão ao redor da Igreja foram projetados por Burle Marx. Neste projeto de Niemeyer, o concreto armado foi utilizado para criar uma abóbada parabólica, até então só utilizada em hangares. A  abóbada da capela da Pampulha foi, ao mesmo tempo, estrutura e fechamento, eliminando a necessidade de alvenarias. A tecnologia introduziu a diretriz de toda a obra de Niemeyer: uma arquitetura onde será preponderante a plasticidade da estrutura de concreto armado, em formas ousadas, inusitadas e marcantes. O pioneirismo das linhas curvas escandalizou o conservadorismo da sociedade da época. As autoridades eclesiásticas não permitiram, por muitos anos, a consagração da capela devido à sua forma inusitada e ao painel de Portinari no altar-mor. 
Casa do Baile: Entre as atrações do complexo arquitetônico da Pampulha, a Casa do Baile sintetiza conceitos peculiares das obras de Oscar Niemeyer em diferentes períodos. Em especial, há o privilégio dado às curvas. No caso do prédio, criado na década de 1940, as linhas tortas promovem a integração com uma ilha artificial que define limites da lagoa. A planta da Casa do Baile se desenvolve a partir de duas circunferências que se tangenciam internamente. Delas desprende-se uma marquise sinuosa que tem a intenção de gerar a comparação com as curvas das margens da represa. Essa marquise é suportada por colunas que também contornam todo o volume circular. À frente deste, há um pequeno palco circular cercado por um lago também de forma de ameba.
Iate Tênis Clube:  Também construído em 1943,a arquitetura do Iate Tênis Clube lembra um barco que se lança nas águas da Pampulha. Os jardins são de autoria de Roberto Burle Marx.
Mineirão: Construído a partir de 1959, o estádio foi alçado a emblema para a engenharia nacional por oferecer inúmeros exemplos de evolução na construção civil. A superestrutura – uma falsa elipse, medindo no eixo maior 275 metros e no menor 217 metros – desafiou os construtores. Para avaliar e suprimir incertezas, foi projetado um minimineirão, chamado de setor experimental 15, na parte central do vão, onde um elo de arquibancadas e coberturas foi submetido a todo tipo de prova, através de usinas de concreto, correias transportadoras, graus, carregadeiras e lançadeiras. A complexidade da obra exigia barras de ferros em comprimentos que a indústria não tinha condições de atender. A solução veio no próprio canteiro de obras, onde engenheiros e operários utilizaram soldas para promover a extensão das barras. Em 2010, o Mineirão foi fechado para reformas para a Copa do Mundo e, em 2012, foi reaberto como uma grande arena multiuso. 
Casa do Conde: Possui grandes varandas com lambrequins e guardacorpo em ferro trabalhado, suntuosa escadaria em madeira e sala com forro contendo pintura decorativa de autoria do pintor Frederico Antônio Steckel. As fachadas, horizontalmente arrematadas com cimalha em massa, apresentam aberturas inferiores em arco pleno e superiores em vergas retas. Todos os vãos possuem vedação com esquadrias de madeira e vidro.