Edifício Acaiaca: O arranha-céu de Belo Horizonte

Edifício Acaiaca (Foto: site uol.com.br)
Edifício Acaiaca (Foto: site uol.com.br)
“Próximo ao arraial do Tejuco (hoje a cidade de Diamantina) havia uma tribo de índios que viviam em constante luta com os tejuquenses, que, de vez em quando, invadiam o arraial. Perto da taba indígena, numa pequena elevação, havia um belo e frondoso cedro que os índios, na sua língua, chamavam “Acaiaca”. Contavam eles que, no começo do mundo, o rio Jequitinhonha e seus afluentes encheram-se tanto que transbordaram, inundando a terra. Os montes e as árvores mais altas ficaram cobertos e todos os índios morreram. Somente um casal escapou, subindo na Acaiaca. Quando as águas baixaram, eles desceram e começaram a povoar novamente a terra. Os índios tinham, portanto, muita veneração por essa árvore (...)”

Essa é uma parte de uma lenda indígena que explica a origem do nome do Edifício Acaiaca, um dos edifícios que se destaca entre os vários projetos arquitetônicos de Belo Horizonte. Inaugurado em 1943, o prédio possui 29 andares em estilo art déco e duas efígies de índios na fachada, esculpidas pelo engenheiro Luiz Pinto Coelho.

Um dos Índios da fachada do prédio (Foto: E.V.E.)
Um dos Índios da fachada do prédio (Foto: E.V.E.)

Localizado entre a Avenida Afonso Pena e a Rua Espírito Santo, o prédio atinge 130 metros de altura. Foi construído na época da Segunda Guerra Mundial, período no qual possuía um abrigo antiaéreo para que as pessoas pudessem se defender de um ataque alemão, caso isso acontecesse. Esse abrigo é, atualmente, utilizado para carga e descarga.

O primeiro arranha-céu da cidade possuía muitas lojas luxuosas, como a Sibéria Modas, tradicional em roupas femininas, que vendia casacos de pele e possuía um salão para desfiles de moda. Nos anos 50, funcionava uma boate na sobreloja, frequentada somente pela alta sociedade. Otacílio Negrão de Lima, prefeito da capital na época, era presença confirmada em quase todas as noites. Existia também o famoso cinema Acaiaca, que formava grandes filas de espectadores, onde, hoje, há uma igreja evangélica. Entre os anos de 1955 e 1980, a TV Itacolomi, fundada por Assis Chateaubriand, funcionou no 23º e 24º andares do edifício.

O Acaiaca também foi palco de histórias políticas. No 11º andar, surgiram os Novos Inconfidentes, uma classe empresarial que se reunia para planejar um golpe de estado. O objetivo era acabar com a ameaça comunista que, segundo eles, estava próxima. No andar, funcionava o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem.

Acaiaca em obras (Foto: BH Nostalgia)
Acaiaca em obras (Foto: BH Nostalgia)

Além disso, a sede do IBGE e a Faculdade de Filosofia da UFMG também funcionaram no Acaiaca, o que tornava o edifício um polo de cultura. Atualmente, no edifício, predominam escritórios de advocacia e de odontologia.