Victor Dzenk: o estilista mineiro que encanta as celebridades

Victor Dzenk
Victor Dzenk
Ele passou a infância ao lado da mãe, apreciando e dando palpites nas costuras e bordados que ela fazia. O avô era dono de uma tecelagem e os tios investiram em empresas do mesmo ramo. Tudo parecia conspirar para que esse mineiro de Lagoa Santa seguisse o caminho da moda. Aos quinze anos, fez um curso no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), em Belo Horizonte. Na época, era uma das poucas opções de aprendizado para quem desejava investir no setor. Começou a trabalhar ainda muito cedo na loja de um dos tios e não demorou muito para deixar o escritório e desenhar modelos para quem ia comprar os tecidos. Cinco anos depois, mudou-se para Paris e estudou na École Supérieure de Mode (Esmod). De volta ao Brasil, lançou, em 1998, a marca com o próprio nome. Atualmente, Victor Dzenk é um dos estilistas mais respeitados do país, muito querido pelas celebridades cariocas e apaixonado pela capital mineira.

 

Conquistando o mercado da moda

 

Antes de se tornar o estilista queridinho das estrelas brasileiras, Dzenk já brilhava nas passarelas. Depois de desfilar seus modelos no extinto BH Fashion, em 1998, seis anos depois, estreou no Rio Fashion Week, no Rio de Janeiro, um dos grandes eventos de moda realizados no Brasil.

 

A coleção inspirada nas obras do artista plástico Fernando Pacheco marcou de vez a permanência do estilista no cenário fashion nacional. Depois de 13 desfiles expressivos na capital carioca, Victor resolveu abrir uma loja na cidade. “Eu não só inaugurei uma loja como também comprei um apartamento no Rio. Preciso estar mais perto dos meus clientes que, em sua maioria, são de lá. Mas BH continua sendo a minha base, é aqui que está minha fábrica, é aqui que está minha família. Nunca tive a pretensão de deixar minha cidade”, revela.

 

É muito comum assistir à TV e, entre uma programação e outra, deparar-se com alguma celebridade vestindo uma roupa da coleção de Victor Dzenk. O estilista conquistou a atenção de muitas personalidades famosas com seus modelos elegantes e cheios de cor. “Elas vestem a roupa e se sentem bem com ela. Não basta a peça ser bonita e ter um bom tecido, tem que vestir bem. E isso é uma coisa que nós mineiros temos como diferencial, a arte de fazer bem feito, com capricho, com detalhes feitos à mão”, argumenta. Foi por causa dessas características que muitas clientes e amigas do mundo do estrelato surgiram na vida do estilista. “Com o tempo, eu não tinha mais empresários ligando para mim, era o próprio artista que fazia o contato e ali começava um relacionamento”, revela.

 

Victor é conhecido por ser zeloso na relação com os clientes. Pontualidade, seriedade e fidelidade, palavras não muito usadas no meio da moda são as características que mais se destacam no estilista. “Principalmente no mercado carioca, tido como um pouco ‘brincalhão’, é dado muito valor à seriedade”, ressalta. A porta de entrada no universo das celebridades se abriu quando o estilista foi convidado para vestir uma personagem da atriz Camila Pitanga, na novela Paraíso Tropical, da TV Globo. “Eu adorei o desafio e sabia que alguns colegas haviam rejeitado a proposta, porque o papel era de uma prostituta. Muitos grandes clientes vieram via Camila Pitanga, que é uma pessoa sensacional”, conta. Artistas como Preta Gil, Letícia Spiller, Luiza Brunet, Monique Alfradique e Cissa Guimarães são algumas das famosas frequentemente flagradas com uma peça de Victor Dzenk.

 

A rápida afinidade das mulheres do Rio com as produções de Dzenk não se dá por acaso. As roupas dele levam sempre um charme litorâneo, característica que ele atribui ao sonho de viver perto da praia. “Como aqui em Minas não tem mar, eu sempre quis fazer algo que remetesse a esse ambiente. A nossa marca é vendida em toda a costa brasileira e isso se repete no exterior. Eu não vendo em Paris, mas vendo em Saint-Tropez, não vendo em Madrid, mas vendo em Ibiza”, argumenta.

 

Como surge a coleção de Victor Dzenk

 

Muitas das coleções nascem de viagens realizadas por Dzenk, mas nem sempre estão presas a lugares. Na estreia no Rio Fashion Week, em 2004, por exemplo, o tema foi baseado em obras de um artista plástico. “Eu gosto das obras do Fernando Pacheco, tenho quadros dele. E uma característica em comum: não temos medo de usar cor e nem o excesso”, afirma. Entre os desfiles que mais marcaram a vida do estilista, estão a estreia no Rio e as duas edições que fez sobre o Copacabana Palace. 

 

Geralmente, o tema da coleção é definido depois de passar por várias provas. Uma equipe grande opina e vota com Victor Dzenk o tema trabalhado. “A nossa coleção acaba seguindo um enredo como o de uma escola de samba de carnaval. Tem que ter um tema, uma evolução. Esse tema tem que ter uma riqueza construída, como os carros alegóricos, para abastecer todo o desfile. No caso, os nossos carros alegóricos seriam as estampas, os adereços que essa mulher vai usar diante do tema. Tudo sem perder o DNA da marca”, ilustra.

 

Seja para falar de Las Vegas ou da Amazônia, é sempre dada muita atenção à linha de pensamento estabelecida pela marca. A prova disso está nos desfiles realizados pelo estilista. Mantendo as nuances marcantes da marca, ele apresenta coleções que são assimiladas facilmente pelo mercado. A maior parte das peças agrada o consumo geral feminino. “Cerca de 80% das roupas dos desfiles são da minha arara comercial. Moda é negócio, não é só glamour da passarela, é preciso vender. Nos desfiles, a gente joga um spray, um perfume, mas as roupas são feitas para serem vendidas”, pontua.Todos os anos, Victor tem compromissos com desfiles em vários pontos do planeta. 

 

A moda mineira por Dzenk

 

A atriz Luana Piovanni desfila em coleção de Victor Dzenk
A atriz Luana Piovanni desfila em coleção de Victor Dzenk
Para Victor Dzenk, a moda em Minas Gerais passou por estágios diferentes. “Nos anos 80, havia o Grupo Mineiro que levava o nome do Estado para o Brasil todo. Mas houve uma dissolução e acho que isso nos deixou um pouco perdidos até encontrarmos um novo rumo. Eu costumo dizer que a gente está vivendo exatamente esse novo rumo, esse novo momento, em que a moda mineira está se reencontrando, se inovando”.

 

Entre as características da moda mineira, Victor valoriza muito o feito à mão, com cuidado e artesanalmente. “A gente tem o sangue barroco correndo nas veias. E o grande diferencial de Minas é esse. Aqui é um berço de talento da arquitetura, da música, da gastronomia. Tudo que é feito em Minas tem por trás uma veia artística muito forte”.

 

Um grande fator positivo que o mineiro tem, de acordo com Victor, é a seriedade. Ele considera carimbo os dizeres “pode fazer, que com ele vai funcionar” ou “vai chegar na hora certa”. Dessa forma, ele fideliza não só lojistas, mas também amigas e clientes celebridades. “É um relacionamento de confiança e profissionalismo”, completa.

 

Outra marca do estilista está na estampa digital. Ele foi o precursor desse tipo de estamparia no Fashion Rio, em 2004. “Digitalizamos a estampa e mandamos para o fornecedor. O tecido entra em uma máquina de impressão, parecida com uma impressora de fotos, só que da largura do pano. Depois de estampado, ele passa por um processo de lavagem para retirar uma película que é aplicada antes da impressão”, explica o estilista.

 

BH: o melhor lugar para se viver

 

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Um pouco mais de Dzenk

Nome: Victor Dzenk
Uma alfinetada: ligar para ele no horário comercial. Com o dia corrido, fica impossível atender.
Um agrado: ter doçura, respeito e não ser invasivo, respeitando o espaço dele.
Roupa ideal: uma roupa prática, que não amasse, e possa ser usada tanto durante o dia quanto à noite. Uma roupa pronta, para que a mulher não precise passar em casa para se trocar depois do trabalho, para ir a algum evento.

“Belo Horizonte tem tudo que uma grande cidade pode proporcionar, mas tem o diferencial que é a qualidade de vida. Tem esse aconchego que é real. Existe um amor e um carinho pelas pessoas que são daqui. O clima é indiscutível. Eu passo uma semana no Rio e fico com vontade de voltar e poder dormir sem ar condicionado”. 

 

Para ele, o fator que predomina no turismo em BH é o cultural. Ele considera impossível passar aqui sem fazer uma parada nas cidades históricas situadas aos arredores, como Ouro Preto e Tiradentes, sem apreciar a beleza arquitetônica de Oscar Niemeyer, conhecer o universo único que é o Inhotim e ir aos teatros e museus da cidade. O estilista destaca também a gastronomia. “Fazer um roteiro goumert é imprescindível para quem visita a cidade. Temos excelentes restaurantes e bares servindo os pratos mais saborosos do Brasil”, aconselha.

 

O ambiente familiar é muito valorizado por Dzenk. “O que me crava em BH é a minha família, é a minha âncora. Todo bom mineiro tem esse laço fortalecido. Temos um sítio no qual nos encontramos todos os finais de semana. Minha mãe costuma receber uma média 50 pessoas para o almoço de domingo. Todos da família, porque família de mineiro é grande”, brinca. Tão grande que muitos dos parentes trabalham na empresa. A mãe, aquela que o inspirou com os bordados, é a responsável por supervisionar toda a produção que sai da fábrica. A irmã, Ana, é o braço direito dele na produção geral e na supervisão de marketing, enquanto o irmão é gerente comercial da marca no Rio de Janeiro.

 

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