Banda Odilara: o ritmo que dá samba

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Com uma forma peculiar de fazer samba, a banda já é destaque musical em Belo Horizonte

Odilara (Foto: Divulgação)
Odilara (Foto: Divulgação)
Queixo-me às rosas, mas que bobagem/As rosas não falam/Simplesmente as rosas exalam/O perfume que roubam de ti, ai (...). Quem lê esse verso de uma das músicas de maior sucesso do saudoso sambista Cartola entende que gostar de samba é gostar não apenas de diversão, mas também de emoção. As músicas, tão bem-compostas pelo maior sambista do Brasil, ainda servem de inspiração para as bandas que gostam e tocam o samba de verdade. É o caso do grupo Odilara, que adaptou o samba de raiz a um estilo próprio e, hoje, é uma das bandas de samba mais conhecidas em Belo Horizonte.

Em 2006, os cinco amigos, Andréa Furtini (vocal e gaita), Eurípedes Neto (violão nylon e vocal), Gustavo Scarpa (baixo e vocal), Marcelo Bontempo (guitarra) e Paulo Espiña (bateria e percussão), fizeram uma releitura de sambas do compositor brasileiro Chico Buarque. Com o projeto Sambas de Holanda, o grupo Odilara levava para os barzinhos da capital mineira as canções do músico. Com o tempo, o repertório foi misturando rock, MPB, etc., inspirado nas composições de Cartola, Noel Rosa, Seu Jorge, Mart’nália, Djavan, Tom Jobim, entre outros. “Trazemos a raiz desses músicos para o nosso modelo de som, a partir daí fazemos nossa música. Temos a carga do samba mais antigo e incorporamos a linguagem do samba mais moderno. Essa mistura caracteriza o Odilara”, explica o baixista Gustavo Scarpa.

A banda surgiu com o objetivo de ser diferente. “Pensamos em um nome que nos caracterizasse. Então, escolhemos Odilara, inspirados na palavra Alarido, que significa sons que se misturam, clamor de vozes”, conta o vocalista Eurípedes Neto. E, para completar, o grupo investiu em composições próprias e inovou o ritmo, incorporando alguns instrumentos. “O samba que fazemos é contemporâneo e mais encorpado. Além disso, construímos o som com bateria, guitarra, gaita, violão e baixo. O ritmo fica mais contagiante”, afirma.

Dessa mistura, surgiu o primeiro CD, em 2010, que foi gravado de forma independente no Estúdio Casa Antiga. “A gente já tinha composições próprias e resolvemos gravar um CD que mostrasse nossa característica e nosso jeito próprio de fazer samba. O disco tem composições próprias e releituras de grandes compositores. Acredito que deu certo, o CD ficou muito bom”, opina Eurípedes.

Segundo o vocalista, a trajetória do grupo dá ao Odilara a originalidade que é necessária em um mercado com tantos grupos do mesmo ritmo. “Quando se tem um estilo próprio, concorrência é uma coisa que não existe. Nós conseguimos conquistar um público que sempre nos prestigia nos shows”.

Para conquistar esse público, além da originalidade, o Odilara aposta na divulgação das músicas, especialmente na internet. De acordo com a vocalista Andréa Furtini, a internet é uma aliada. “Disponibilizamos em nosso site todas as informações da banda e os usuários podem escutar nossas músicas gratuitamente. Nossa intenção não é só ganhar dinheiro com o CD, mas apresentar ao público o trabalho que fazemos com tanta dedicação”.

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Um pouco sobre Cartola

Um pouco sobre Cartola

No Brasil, sempre que se fala em samba, a referência é o saudoso Angenor de Oliveira, o Trovador do Samba ou, simplesmente, Cartola. Nascido em 1908, o cantor e compositor foi considerado pelos críticos como o maior sambista da história do Brasil. Recebeu o apelido de Cartola aos 15 anos de idade, devido ao chapéu que usava na função de pedreiro. O chapéu parecia uma cartola e, de acordo com o próprio sambista, evitava que seu cabelo ficasse sujo de cimento.

Morador do Morro da Mangueira, comunidade do Rio de Janeiro, fundou a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, em 1928. As músicas de Cartola ficaram famosas pela originalidade e poesia nas letras, que sempre falavam de amor. Ao todo, ele compôs cerca de 500 canções.

Em toda a sua carreira, o sambista gravou quatro discos. Músicas como "As Rosas Não Falam", " O Mundo é um Moinho", "Acontece", " O Sol Nascerá", entre tantas outras, ainda servem de referência para várias bandas. Em 1980, o músico faleceu e deixou seu legado musical para a história do samba no Brasil.

O grupo faz shows em Belo Horizonte, em bares e boates. Toda vez que o Odilara se apresenta é sinônimo de casa cheia, isso porque, de acordo com Scarpa, o samba está crescendo em Belo Horizonte. “A cidade recebe cada vez mais artistas famosos do meio e isso é muito importante. A banda Odilara faz questão de estar no circuito de shows da noite de BH para que o público possa conhecer e gostar ainda mais das nossas músicas”.