Vander Lee: cancioneiro de pouca prosa e muita poesia

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Vander Lee se destaca pela originalidade e romantismo nas letras de suas músicas

Vander Lee faz música e poesia com o amor e o cotidiano (Foto: Ludmila Loureiro)
Vander Lee faz música e poesia com o amor e o cotidiano (Foto: Ludmila Loureiro)
Ele adora brincar com as palavras. Conhece as rimas que se encaixam perfeitamente à melodia e tocam fundo no coração do público. Apesar disso, a música de Vander Lee nem de longe carrega em si o exaustivo formato comercial, feito apenas para vender álbuns. Pelo contrário. As composições desse belo-horizontino parecem brotar da alma. Os seus versos falam de amor, do cotidiano, das angústias humanas e mostram que Vander Lee encara a música como algo quase terapêutico, uma forma de se libertar, de mostrar para si e para o mundo o que ele é.

O cantor e compositor garante que essa relação afetuosa com a música é herança do falecido pai, ex-funcionário de uma mineradora. O senhor José Delfino chegava do trabalho, tomava banho e começava a dedilhar e cantarolar no quarto, sem outra intenção senão a de relaxar. “Segui o caminho desse clima de intimidade com a música. Procuro não perder isso. Atualmente, percebo pouco essa paixão pela música em detrimento da indústria. Hoje, se faz tudo muito pensado”, lamenta.

Nas letras das canções, Vander Lee tenta fugir de possíveis filtros no processo criativo. “Não faço muita questão da verdade. O poeta precisa se libertar”. A inspiração para escrever vem da vida: barreiras pessoais, experiências reais ou inventadas, pensamentos populares, figuras públicas e até mesmo recados que ele gostaria de enviar se transformam em tema para as composições. “Gosto de comunicar através da canção. Resolvo brincar com minhas coisas, com um olhar de fora. Mas também invento personagens”, revela.

Os versos tocantes e a melodia agradável caíram no gosto do público e de artistas consagrados. As composições de Vander Lee foram gravadas por Fábio Júnior, Elza Soares, Maria Bethania, Emilinha Borba, Gal Costa, Luiza Possi, Alcione, Leila Pinheiro, Margareth Menezes e Selmma Carvalho.

Vários em um

Vander Lee está longe de se enquadrar na categoria de cantor romântico, forma como a crítica comumente tenta classificá-lo. Ele deixa claro que essa é apenas uma de suas vertentes. A inquietação própria do cantor resulta em um artista que mistura gêneros, tanto nas interpretações quanto nas composições. Pop, MPB, balada e, até mesmo, samba. “Vander Lee é tudo e, ao mesmo tempo, não é nada disso apenas. Defino meu estilo como uma canção brasileira. Nesse lugar, você me encontra”.

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Bate-bola com o compositor

PortalBh:Diga um momento especial em sua vida.
Vander Lee:Agora.

PortalBh: E um momento que gostaria de apagar de sua memória?
Vander Lee:Aqueles nos quais alguém disse uma verdade que eu não dei conta de suportar.

PortalBh: Diga uma palavra da qual você gosta.
Vander Lee: Saudade.

PortalBh: E uma palavra da qual não gosta?
Vander Lee: Não há, eu preciso de todas elas.

PortalBh: Defina o que é música para você em uma palavra.
Vander Lee:Vida.

PortalBh: E o que é vida para você?
Vander Lee: Caminho.

PortalBh: Uma qualidade do Vander Lee
Vander Lee: Fragilidade.

PortalBh: E um defeito?
Vander Lee: Brutalidade.


Mais um pouco de Vander Lee

- Nome de batismo: Vanderli Catarina

- Nascimento: Belo Horizonte, 3 de março de 1966

- Time de futebol: Clube Atlético Mineiro

- Primeira composição: aos 13 anos de idade

- Vander Lee cresceu no Bairro Olhos D’água, em Belo Horizonte, e só conheceu o centro da cidade aos 11 anos

- Já trabalhou como office-boy, vendedor, faxineiro, entregador, auxiliar de jardinagem, almoxarife

- É casado com a também cantora Regina Souza e é pai de três filhos

Qualquer dúvida sobre a versatilidade do mineiro cai por terra quando se ouve o repertório eclético, que vai desde as dançantes "Galo e Cruzeiro" e "Chazinho com Biscoito", até as emocionantes "Alma Nua" e "Meu Jardim". 

A carreira

Até chegar a esse nível plural, Vander Lee fez da noite sua escola. Tocou em barzinhos da capital, por 12 anos. Nos final dos anos 80, decidiu gravar o primeiro trabalho independente: uma fita cassete demo, com quatro canções: “Natureza”, “Caminhada”, “Minas Gerais” e “Canção do bicho homem”.

De lá para cá, focou os esforços na divulgação do trabalho em bares e festivais. O impulso que faltava para alavancar a carreira aconteceu em novembro de 1998. Naquele ano, Elza Soares conheceu o trabalho do compositor e incluiu a música “Subindo a Ladeira” no show. Além disso, Vander Lee dividiu o palco com a viúva de Garrincha em uma apresentação, em BH. A partir daí, o nome do mineiro foi projetado para o restante do país.

Ele já se apresentou na Itália (Projeto Minas Gerais em Piemonte), nos Estados Unidos (Festival SXSW – South By Southwest em Austin, Texas) e em Cuba (Festival Cantorias de Mayo, Holguin).

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Discografia

(1997) Vanderly
(1999) No balanço do Balaio
(2003) Vander Lee ao vivo
(2005) Naquele verbo agora
(2006) Pensei que fosse o céu

(2006) DVD Entre
(2009) Faro 
(2012) Sambarroco