Bairro Caiçara

Edifício Cidade Jardim, mais conhecido com Espigão é uma das marcas do bairro Caiçara.
Edifício Cidade Jardim, mais conhecido com Espigão é uma das marcas do bairro Caiçara.
“Antigamente, a região era ocupada por pequenos sitiantes, que guardavam o gado em currais de varas fincadas no chão como as cercas das aldeias indígenas, chamada kai'sara, na língua tupi. Daí teria surgido o nome do lugar, cujo primeiro aglomerado de casas foi uma vila vicentina, onde havia um cruzeiro que se iluminava à noite, podendo ser visto a longa distância.”

A descrição preliminar do que seria o bairro Caiçara em seus primeiros anos de existência, por volta dos anos 50, foi feita pelo escritor Jorge Fernando dos Santos, no livro da coleção “BH: A Cidade de Cada Um”, que foi publicado exclusivamente para contar as impressões do autor sobre o bairro onde mora desde os seis anos de idade.

Bem antes de se tornar conhecido por causa do Espigão (apelido dado ao Edifício Jardim Caiçara, que se ergue imponente no alto do bairro), pela implantação do Shopping Del Rey ou até mesmo por sediar a emissora de TV Globo Minas, o Caiçara já tinha muita história para contar.

As fazendas, destinadas às atividades agrícolas e pecuárias, já ocupavam a Região Noroeste, na época da fundação da capital mineira. Na região estavam localizadas as fazendas do Palmital e do Engenho Nogueira. As antigas vilas chamadas São Geraldo, Vila Araci, Vila Adelaide, Alto dos Caiçaras e Chácara do Tanque, inspiraram o nome do bairro, que hoje é dividido em três regiões: Caiçara ou Caiçaras, Caiçara Adelaide e Alto dos Caiçaras.

Algumas ruas do bairro receberam nomes de Expedicionário Sinval Melo, Expedicionário Francisco Teles e Expedicionário Amaro da Silveira. Uma homenagem aos ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial, integrantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que moraram em algumas casas do conjunto habitacional Presidente Juscelino Kubitschek, construído ainda na década de 50.

Na década de 60, o Anel Rodoviário foi construído às margens do bairro. A obra contribuiu para que a região, aparentemente isolada, fosse ocupada rapidamente. Nos anos seguintes, o prolongamento da Avenida Pedro II e a continuidade da Avenida Presidente Carlos Luz, ligando o Caiçara à Pampulha, valorizaram a região. A implantação do Campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) reforçou a importância desse trecho.

Com o passar dos anos, o bairro Caiçara recebeu muitos recursos de infraestrutura e deixou para trás os traços rurais que predominavam entre os primeiros moradores. Atualmente, além de contar com o Shopping Del Rey, o bairro tem um grande polo comercial e também uma ótima opção natural de lazer: o Parque Ecológico Caiçara.

O Parque, localizado na Rua Tico-Tico, nº 100, disponibiliza pista para caminhada, equipamentos de ginástica, quadra poliesportiva, campo de futebol, playground, além de muitos espaços, onde é possível contemplar a vegetação com mata ciliar e várias espécies nativas, como o cedro, ingá, louro-pardo, açoita-cavalo e jequitibá. Micos e gambás também podem ser flagrados no meio da mata e aves, como sabiá, rolinha, pica-pau e bico-de-lacre, fazem parte do acervo da fauna do Parque Ecológico. O córrego Cascatinha, afluente do córrego Engenho Nogueira, da bacia do Rio das Velhas e do Rio São Francisco, passa pela reserva e deixa o ambiente ainda mais belo. O Parque Ecológico Caiçara fica aberto diariamente, das 8h às 18h.

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As Avenidas que ajudaram a povoar o Caiçara

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As Avenidas que ajudaram a povoar o Caiçara

A abertura das Avenidas Pedro II e Presidente Carlos Luz foram muito importantes para que a região do bairro Caiçara fosse ocupada. A maioria das pessoas que passam pela via, cujo nome homenageia o último imperador do Brasil, nem imagina que debaixo dela passa o Córrego do Pastinho. As obras, iniciadas em 1935, foram essenciais para viabilizar a conexão da Avenida do Contorno com o Anel Rodoviário e também ligar o Centro à Região Nordeste da capital.

A Avenida Pedro II é conhecida por concentrar um grande volume de lojas de acessórios para veículos e outros estabelecimentos ligados ao setor. Peças para carros, motos e caminhões, dos mais variados tipos, podem ser encontrados ao longo da via, assim como serviços automotivos e revendas de produtos do ramo. Por causa disso, a Pedro II se tornou referência na capital quando o assunto é manutenção de veículos.

Mesmo não cruzando o bairro Caiçara, a Pedro II é uma das principais avenidas de acesso ao bairro. A partir dela, a construção da Avenida Presidente Carlos Luz foi iniciada, por volta da década de 50. Até os dias atuais, a via é conhecida pelo apelido de Catalão – nome que os moradores antigos afirmam ser do córrego que passava por ali. 

A Avenida Presidente Carlos Luz, ou simplesmente Carlos Luz, como é mais conhecida, teve sua extensão prolongada com o passar dos anos e, atualmente,  corta o Anel Rodoviário e é a principal ligação da região Noroeste com os bairros localizados no entorno da Pampulha.

Diferente da Avenida Pedro II, a Carlos Luz não concentra um polo específico de comércio. Entre os pontos mais importantes da via, estão o Shopping Del Rey, a Universidade Newton Paiva, o Cemitério da Paz, a Igreja Santa Clara, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão.