O típico prato brasileiro feito pela melhor cozinha do país

O sabor da feijoada fica ainda mais especial quando se acrescenta o toque do tempero mineiro

 O sabor da feijoada fica ainda mais especial quando se acrescenta o toque do tempero mineiro
O sabor da feijoada fica ainda mais especial quando se acrescenta o toque do tempero mineiro
Se ao imaginar uma panela cheia de feijão preto borbulhando entre generosos pedaços de linguiçinha, bacon e costelinha, você já fica com água na boca, então imagine adicionar a essa mistura o famoso tempero mineiro e o sabor especial de ter tudo preparado num tradicional fogão à lenha. O capricho usado para fazer o feijão tropeiro, prato típico do Estado, é também utilizado no preparo da refeição mais emblemática do Brasil, a feijoada.

Não é difícil encontrar, em Belo Horizonte, restaurantes que servem o prato pelo menos uma vez por semana. Normalmente na sexta-feira, esse é o prato principal dos restaurantes.

Além disso, alguns deles se especializaram e se tornaram tradicionais por servir a feijoada. Entre os mais conhecidos está o Recanto da Feijoada, antigamente chamado Feijoada do Gil.

 

A receita que faz sucesso há mais de 20 anos
No início dos anos 90, um senhor chamado Gil resolveu abrir a garagem da própria casa para servir a feijoada preparada pela esposa, Dona Cida. A receita fez muito sucesso e os finais de semana se tornaram curtos para atender a tanta gente ansiosa para deliciar-se com a refeição. Após 21 anos, o então restaurante foi vendido e passou a se chamar Recanto da Feijoada.

Mudou o nome, mudaram os donos, mas a forma de preparar e servir o prato continuou a mesma. Isso porque a cozinheira, Rosane de Fátima, ex-ajudante de Dona Cida, é quem prepara a irresistível feijoada há mais de 15 anos e mantém o sabor. Quem garante isso é a própria clientela. “A última vez que vim aqui ainda era do antigo dono, há mais ou menos nove anos. Posso garantir que a feijoada continua igualzinha. Muito gostosa! Única em BH”, afirma Marco Aurélio, após uma farta garfada da iguaria, que é acompanhada de arroz, couve, vinagrete, farofa e caldo de pimenta.

Por ser considerado um prato “pesado”, a feijoada do Recanto é servida de acordo com a preferência do freguês. As pessoas podem escolher entre a magra, com linguiça e pedaços de carne sem gordura, e a gorda, com os mesmos ingredientes, mas repleta de fatias gordurosas, como pé, joelho e orelha de porco. As “mãos de fada” de Rosane dão o toque especial no sabor. “Eu tenho a responsabilidade de fazer uma grande quantidade de feijoada e só mesmo o carinho na hora de preparar é que faz tudo sair direitinho. É muito comum alguém aparecer aqui na cozinha dizendo que a comida estava gostosa. Fico muito satisfeita, porque o paladar do mineiro é exigente”, revela.

Para fazer a feijoada, que é consumida em apenas um dia, a cozinheira gasta 10 quilos de feijão, cerca de 40 quilos de carne (entre linguiça, bacon, pé de porco e costelinha), além de um pernil de porco inteiro. “E ainda tem gente que aparece aqui mais tarde e não consegue comer, porque acaba rápido”, completa.

Conservar os detalhes que fizeram o restaurante, que só fecha as segundas-feiras, tornar-se referência em feijoada na capital mineira foram esforços da nova administração. “Quando assumimos a direção, fizemos questão de não mudar muita coisa. Mesmo depois de tantos anos, existem pessoas que ainda acham que somos a Feijoada do Gil. Só vamos abandonar essa garagem, que deu origem a tudo, e ir para um novo espaço na Pampulha porque esse imóvel foi vendido”, explica o proprietário Paulo Márcio dos Santos. Nas novas instalações, além do tradicional fogão à lenha, Paulo promete fazer um ambiente cheio de redes para que as pessoas possam descansar um pouco após a refeição.

A origem da feijoada
A adesão dos mineiros ao prato mais simbólico da culinária brasileira é tão expressiva que muitas pessoas pensam que a origem da feijoada se deu em Minas Gerais. Mas é o Rio de Janeiro que assume a fama de tê-la como comida típica.

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Aprenda a fazer a Feijoada Mineira

Ingredientes:
1 kgfeijão preto
800g de carne-seca
400g de linguiça
600g de costela defumada
600g de lombo salgado
4 paios
4 folhas de louro
5 dentes de alho
1 kgde toucinho (peça)
Cebolinha picada
Sal a gosto

Modo de preparo:
Retirar o sal da carne. Escolher o feijão, lavar e colocar para cozinhar com folhas de louro. Em seguida, acrescentar carnes em pedaços grandes e depois colocar os embutidos (eles cozinham rapidamente). Retirar as carnes à medida que ficarem cozidas, deixar esfriar e picar em pedaços grandes. Dourar o alho em óleo e colocar o feijão, corrigir o sal, se necessário. Retirar metade do feijão e bater no liquidificador. Depois, colocar as carnes em vasilhas separadas, cobrir com caldo de feijão, e deixar ferver.

Modo de preparo do torresmo:
Enrolar o toucinho em forma de canudo, amarrar com um barbante e congelar. Cortar, na máquina de frios, em fatias finas. Pré-fritar os pedaços, retirando-os antes de dourar. Colocar os torresmos em uma vasilha e reservar o restante da gordura na panela. Deixar esfriar e levar à geladeira. Antes de se servir, colocar os torresmos na mesma gordura quente, deixar fritar e escorrer.

Dicas:

Decorar a feijoada com cebolinha e torresmo

Sirva a feijoada com arroz, farofa, couve frita e laranjas tipo baía ou pêra

Fonte:Catálogo Brasil Sabor 2010 – 5º Salão do Turismo – Roteiros do Brasil

O preparo da semente da vagem do feijoeiro sofre algumas variações nas diferentes regiões do país em que é feita. No nordeste, por exemplo, em vez do feijão preto, é mais comum usar o tipo mulatinho, que é um pouco mais claro. No entanto, a essência da receita continua a mesma dos tempos do Brasil Colonial.

Alguns historiadores defendem que a feijoada surgiu na época da escravidão, quando os senhores de escravos não comiam as partes menos nobres do porco, como orelhas, rabos e pés, que eram dadas aos escravos. Como a alimentação dos criados era baseada apenas em cereais, como milho e feijão, eles teriam cozinhado essas partes juntamente com o feijão e adicionaram água, sal e pimentas diversas à mistura. Para os estudiosos da história da alimentação, o prato é genuinamente brasileiro, aprimorado pela etnia formada por descendentes de europeus, índios e escravos. Já que nenhum desses povos tinha costumes alimentares que, separadamente, os levariam a preparar tal prato. Independentemente do que diz a história, uma coisa é certa: a melhor feijoada do Brasil certamente está numa cozinha mineira.