Mais uma gelada, por favor!

Produto da Cervejaria Falke Bier, localizada na região metropolitana de BH (Foto: Divulgação)
Produto da Cervejaria Falke Bier, localizada na região metropolitana de BH (Foto: Divulgação)
Breja, loirinha, loira gelada, cerva ou simplesmente uma gelada. São muitos os apelidos para a cerveja, uma das bebidas mais antigas da humanidade. Conhecida mundialmente, a cerveja é pedida certa nas festas, baladas e churrascos brasileiros. Mas o que muita gente ainda não conhece são as cervejas especiais, feitas artesanalmente ou em microindústrias que, segundo especialistas, proporcionam um sabor muito melhor.

Com o lema “Beber menos, mas beber melhor”, os apaixonados pela cerveja artesanal garantem que quem conhece o sabor deste tipo de bebida não aceita beber a de outra modalidade. 

Segundo o cervejeiro Marco Falcone, um dos sócios da Falke Bier, a capital mineira está se tornando referência na produção de cerveja especial no Brasil. “São 70 fábricas de produção caseira, associadas a ACervA, e outras 10 microindústrias, conveniadas ao Sindbebidas. Os cervejeiros daqui não têm medo de inovar. Muitas cervejas produzidas em Belo Horizonte não existem em nenhum outro lugar do mundo”, afirma.

José Felipe Carneiro, cervejeiro da Wals - que teve dois rótulos premiados em 2014 na World Beer Cup, competição internacional de marcas de cerveja - também destaca a produção da capital mineira. “A história da cervejaria em BH e região metropolitana começou com os cervejeiros caseiros, que faziam a bebida em casa, na panela. Eles perceberam uma excelente oportunidade para crescer e, hoje, estão à frente de microcervejarias famosas pela qualidade. A produção da bebida na nossa região já faz de BH a capital das cervejas especiais do Brasil”, acredita. 

De acordo com Falcone, o consumo deste tipo de produto no Brasil tende a crescer 15% ao ano, ao passo que o da bebida industrializada cresce, em média, de 3 a 4% no mesmo período. “Hoje, o brasileiro consome, em média, 50 litros de cervejas especiais por ano. Com o aparecimento das microindústrias, esse número tende a aumentar. Há um espaço muito grande para o ramo. E Belo Horizonte vai acompanhar esse crescimento”, especula.

Dez microcervejarias na capital e região metropolitana produzem a bebida, mas apenas quatro a engarrafam: Falke Bier, Wals, Backer e Krug Bier/Áustria. “Todas elas já têm projeção nacional”, revela Falcone.

Sabor e cultura 

O cervejeiro ainda explica que a cerveja artesanal é muito mais que uma simples bebida. É também cultura. “Cada tipo de cerveja combina mais ou menos com um tipo de comida. Então, esse movimento é muito mais que apenas beber, é também degustar, sentir aromas e sabores diferenciados – o que, na bebida industrializada, é impossível de se fazer”. 

Como o objetivo é levar cultura e não apenas cerveja, as microcervejarias já estão construindo verdadeiros espaços culturais. Falcone conta que abre sua fábrica para visitação. Na Falke Bier, existe um espaço, no qual são ministrados cursos de degustação da cerveja especial. “Esse ambiente foi construído para os nossos cursos e testes. Aqui degustamos cervejas do Brasil inteiro. Além disso, abrimos também para visitações. É um prazer receber pessoas que admiram a bebida como nós”, orgulha-se.

Dedicação no preparo

Tanto a Falke Bier quanto a Wals possuem cervejas mais do que especiais. A Monasterium e a Vivre pour Vivre, da Falke, são famosas não só pelo sabor, mas também pelo modo de preparo. Segundo Falcone, a Monasterium, uma cerveja Belgian Srtong Ale, vencedora do prêmio Award 2008 como produto inovador, leva até seis meses para ficar pronta. “Todo o processo é muito peculiar. Ela é refermentada na garrada e maturada em uma adega subterrânea ao som de canto gregoriano”, revela.

Já a Vivre pour Vivre, uma cerveja Fruit Bier, utiliza jabuticaba na elaboração. Falcone revela que ela é única no mundo e leva três anos para chegar pronta ao consumidor. A sua peculiaridade é tanta que a produção é limitada: apenas 600 garrafas por ano. “Essa cerveja é muito especial.

O nome é inspirado no filme Vivre pour Vivre. Eu queria fazer uma cerveja inédita que, ao mesmo tempo, fosse bem brasileira. Então, decidi utilizar a jabuticaba. Ficou fantástico!”, afirma.

Já a cervejaria Wals, tem a Wals Brut como “xodó”. De acordo com Carneiro, essa é uma cerveja Champenoise, que segue os mesmos modos de preparo do Champangne. “A Wals Brut leva nove meses para ficar pronta. Produzimos apenas 200 garrafas por ano. Temos uma lista de espera de mil pessoas querendo a nossa cerveja”, revela.

Cerveja especial X Cerveja industrializada

Tanta dedicação para produzir um único tipo de cerveja não poderia originar um resultado diferente. Os preços das cervejas especiais chegam a ser bem mais altos do que os da cerveja industrializada. Mas os cervejeiros não vêm nisso é um empecilho para a venda do produto. “Se você gasta R$30 com seis ou sete garrafas de cervejas industrializadas, você pode optar por tomar três especiais e gastar o mesmo valor. Porém, terá bebido algo de maior qualidade e infinitamente mais saboroso”, compara Carneiro.

Para Falcone, o lema “Beber menos, mas beber melhor”, diz bem qual é a grande diferença entre as bebidas. “A cerveja especial está muito ligada ao gourmet, ao sabor, aos aromas. A qualidade é muito maior. Quem toma cerveja especial não tem a intenção de ficar bêbado, mas sim de degustar, de sentir a qualidade diferenciada”.

As meninas da Confraria Feminina de Cerveja do Brasil - CONFECE também concordam. “Quando optamos por uma cerveja especial, optamos por uma bebida de qualidade superior. A gente aprende a tomar cerveja e a sentir todas as sensações que ela proporciona”, comenta Ludmilla Fontainha, que faz parte da confraria formada só por mulheres.

Mulheres apaixonadas por cerveja

Para quem acha que mulher não gosta de cerveja, a CONFECE – Confraria Feminina de Cerveja do Brasil – está aí para comprovar que isso é mentira. Em 2007, dez amigas se reuniram em uma festa que servia cerveja artesanal e resolveram formar a confraria apenas com mulheres.

Segundo a jornalista Lígia de Matos, uma das integrantes do grupo desde o início, esta é a “primeira confraria feminina de cerveja do Brasil”.Desde o começo das atividades, elas se reúnem uma vez por mês com um único objetivo: apreciar a cerveja especial e estudar sobre o assunto. De acordo com Lígia, a Confece possui normas, como toda confraria. “Mesmo estando em um bar, as nossas reuniões não são apenas diversão. Elaboramos uma pauta sobre o que será discutido naquele encontro e só vamos embora depois que tudo estiver decidido. O assunto aqui é cerveja especial”, revela.

Além de discutir sobre cerveja especial, as meninas da CONFECE também se arriscam a produzir cerveja. Ao longo dos estudos, elas perceberam que seria interessante colocar a mão na massa e elaborar uma bebida própria do grupo. “No início, a gente fazia na panela, de uma forma bem caseira. Dessa empreitada, saíram a Conceição e a Aurora. São duas cervejas de estilos diferentes, que a gente faz apenas para consumo das confreiras”, conta a jornalista Ludmilla Fonttainha. Aos poucos, elas foram aperfeiçoando e já possuem alguns equipamentos próprios para produção. “Cada encontro de produção é uma nova experiência. Dá muito trabalho, a gente põe a mão na massa mesmo. Mas, no final, a recompensa é uma cerveja única e exclusivamente nossa”, revela.

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CONHEÇA ALGUMAS CERVEJARIAS DE BELO HORIZONTE E ENTORNO

 

Cervejaria Backer (Cervejaria Três Lobos) - Cerveja artesanal de Belo Hor... Clique aqui para ler mais sobre.

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CONHEÇA ALGUMAS CERVEJARIAS DE BELO HORIZONTE E ENTORNO

 

Cervejaria Backer (Cervejaria Três Lobos) - Cerveja artesanal de Belo Horizonte, fundada em 1998. Distribuição, além de Minas, em São Paulo, Rio, Santa Catarina, Centro Oeste e Rio Grande do Sul. Em 2010, lançou cerveja com a marca “3 Lobos”. Capacidade de 240 mil litros/mês.
Endereço: Rua Santa Rita 220 – Olhos D´água – BH – MG – CEP: 30 390 – 550
Site: www.cervejariabacker.com.br

 

Falke Bier – ocalizada no município de Ribeirão das Neves, MG, foi fundada em 2004 pelos irmãos Marco, Juliana e Ronaldo Falcone. Iniciou suas atividades produzindo cervejas artesanais da escola cervejeira alemã, respeitando a Reinheitsgebot.  Produção média de 10 mil litros/mês.
Endereço: Alameda dos Falcões, 680 - Vale do Ouro - CEP 33833-140 - Ribeirão das Neves/MG

Site: www.falkebier.com.br

 

Krug Bier - A primeira microcervejaria de Minas Gerais foi inaugurada em 1997 em Belo Horizonte e possui know-how e tecnologia austríacos. Produz choppes artesanais, ganhadores de vários prêmios. Disponível somente no próprio bar e no Botequim Maria de Lourdes, ambos em BH. Capacidade de 40 mil litros/mês. Também faz parte da Krug Bier a marca Austria Bier, localizada em Nova Lima, MG.
Fábrica Krug Bier
Endereço:  Rua Alaska, 115A - Jardim Canadá -  Nova Lima/MG 
Cervejaria Krug Bier
Endereço: Rua Major Lopes, 172, Bairro São Pedro – Belo Horizonte/MG
Site: www.krug.com.br

 

Cervejaria Küd - Fundada em 2010, NovaLima, MG, produz chopp em barriletes com distribuição na cidade e Belo Horizonte.
Fábrica
Endereço: Rua Kenton, 36, Jardim Canadá - Nova Lima/MG
Site: www.cervejariakud.com.br
Brew Pub Küd
Endereço: Rua Kenton, 36, Jardim Canadá - Nova Lima
Fone: (31) 3589-6030

 

Cervejaria WÄLS - Fundada em Belo Horizonte no final dos anos 90, a cervejaria desenvolveu padrão europeu, conservando o purismo da produção de cervejas especiais para apreciadores. Distribuição nas principais capitais do Sul e Sudeste.
Endereço: Rua Padre Leopoldo Mertens, número 1460/São Francisco - Belo Horizonte/MG
Fone: (31) 3443-2811
Site: www.wals.com.br

 

Cervejaria Artesamalt - Fundada em 2007 na cidade de Capim Branco/MG
Endereço: BR 040, KM 487, Capim Branco/MG
Site: www.cervejariaartesamalt.com.br