Grupo 1º Ato: dança plural que dá origem a espetáculos singulares

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Uma companhia que não vê limites para a dança, trabalha com mistura de estilos e coreografa passos para se expressar e despertar emoções

Cena do espetáculo “Geraldas e Avencas” (Foto: Guto Muniz)
Cena do espetáculo “Geraldas e Avencas” (Foto: Guto Muniz)
Celebrar a diversidade através da dança. Essa é a marca principal do Grupo 1º Ato desde o início das atividades, em 1988. Genuinamente belo-horizontina, a Companhia busca subverter padrões e trabalhar com bailarinos, temáticas, espetáculos e formas de expressões das mais variadas possíveis. “Uma assinatura múltipla”, conforme define a diretora e fundadora Suely Machado.

A ideia de formar o 1º Ato surgiu dentro de um ônibus, quando algumas bailarinas, incluindo Suely, voltavam de uma apresentação em Formiga, interior de Minas Gerais. Entre um papo e outro, elas começaram a falar das diferenças de estilos que existiam entre si. Foi então que uma sugestão nasceu da conversa. “Pensamos o quanto seria interessante se, no lugar de criarmos um grupo com todo mundo igualzinho, tivéssemos um coro de diversidade, de pessoas que trouxessem influências diferentes para o mesmo coletivo”, explica a diretora.

A premissa básica, que norteia até hoje o grupo de dança contemporânea, estava então criada: trabalhar com o diferente para não ser igual. E isso vale até hoje, não só para o corpo profissional, mas também para quem ainda está aprendendo os primeiros passos. Segundo Suely, os alunos matriculados na Escola 1º Ato são orientados a encarar a dança sob essa filosofia. “A escola pretende formar pessoas que queiram bancar sua assinatura, mas coletivamente. Tenho essa preocupação didática da dança, não só a preocupação artística: a dança como um ponto fundamental para a criação de um indivíduo, um cidadão atuante, que deixa sua marca autêntica, criativa e individual em prol do coletivo”.

Além do compromisso com a universalidade, outra característica forte do 1º Ato é a abertura de espaço para que os bailarinos participem das etapas de criação dos espetáculos por meio de pesquisa de temas, estudos de movimentos, sugestões de cenas, etc. Esse processo foi inaugurado em “Mundo Perfumado”, de 2004. “É o tipo de trabalho que gosto, que não descansa, não acomoda. Aqui, temos a possibilidade de nos desenvolver

não só como bailarinos, mas também como criadores, coreógrafos, produtores”, afirma Alex Dias, bailarino e coreógrafo do Grupo.

Para Marcela Rosa, bailarina desde a fundação do Centro de Dança 1º Ato, o Grupo “é uma opção de vida”. Assim como, no caso de Alex, o espaço democrático também foi, para ela, um dos fatores de identificação. “A Suely sempre brinca que não gosta de bailarinos, mas de pessoas que queiram criar, contribuir a partir de suas vivências, e dançar”.

Passos engajados

Além de participar do processo de criação antes das cortinas se abrirem, os integrantes do 1º Ato também são muito mais que bailarinos quando estão no palco. Eles podem ser considerados verdadeiros intérpretes. Nos espetáculos, os movimentos corporais vão além de meros passos de dança contemporânea e dialogam com outras áreas, como mímica, música, filosofia, circo, artes cênicas e até história em quadrinhos, como o caso de “Aqui não é Gotham City”, de 1992.

Segundo Suely, as apresentações são fruto de um trabalho apurado de pesquisa, estudo de movimentos e discussões. “Cada gesto quer dizer algo, tem uma intenção em si, não são apenas movimentos ritmados e ensaiados. Até a pausa, entre um passo e outro é proposital, quer transmitir uma sensação”, explica.

As coreografias do Grupo 1º Ato carregam forte apelo emocional e quase sempre procuram incitar, no público, reflexões sobre temas contemporâneos. É o caso de “Geraldas e Avencas”, de 2007, que traz uma crítica à cobrança excessiva pela perfeição tanto do corpo quanto dos relacionamentos. Em “Carne Viva”, de 1990, os bailarinos são estimulados a explorar a busca de um sentido para estar vivo. “Essa preocupação

permeia nosso trabalho até hoje. Nossa proposta é fazer uma radiografia do nosso tempo”, explica Suely.

De fato, ao apresentar os espetáculos, o 1º Ato nitidamente deixa o seu recado e diz a quê veio. No decorrer de cada coreografia, o público recebe um convite para sorrir, sentir, gostar, questionar, se surpreender, se emocionar, refletir e ter um novo olhar sobre o que é dança e sobre o que é se expressar por meio dela. “A dança é uma das linguagens com as quais podemos comunicar com os seres humanos. Na dinâmica dos movimentos, os gestos promovem uma leitura, transmitem sensações e emoções. É uma manifestação que inclui crenças, mitos, desejos, mas principalmente a possibilidade de comunicação”, opina Suely.

O 1º Ato possui já recebeu diversos prêmios nacionais e se apresentou em vários países, como Estados Unidos,  Espanha, Portugal, Alemanha, dentre outros. “O que nos move é exatamente o que escolhemos fazer e o que queremos falar – no nosso caso, o que queremos dançar. Sempre estamos procurando saber o que o mundo precisa e qual será o próximo assunto do qual iremos falar. Esse é o nosso trabalho”, conclui o coreógrafo Alex Dias.

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Um pouco da história da dança

A dança é uma das três principais artes cênicas da Antiguidade, ao lado do teatro e da música. No início da vida humana, ela possuía um aspecto mágico, quase irracional, constituindo-se como uma forma de contato com o sobrenatural.
Evoluiu posteriormente para rituais religiosos, que ainda mantinham o aspecto mágico. Por fim, na Grécia antiga, passou a ser incorporada também às tragédias gregas.
No Antigo Egito, 20 séculos antes da era cristã, já se realizavam as chamadas danças astroteológicas em homenagem ao deus Osíris. O caráter religioso foi comum às danças clássicas dos povos asiáticos.
Na Grécia Clássica, a dança era frequentemente vinculada aos jogos, em especial aos olímpicos. Com o Renascimento, a dança teatral, virtualmente extinta em séculos anteriores, reapareceu com força nos cenários cortesãos e palacianos.
Já no século 19, apareceram a Contradança (que se transformou na quadrilha), a Valsa, a Polca, a Mazurca, o Scottish, o Pas-de-quatre, entre outros. No século 20, surgiram as danças exóticas (Cake-Walk, Maxine, One Step, Fox-Trot e Tango).


Cronologia dos Espetáculos do Grupo 1º Ato

- 1988: Confidências para uma terceira pessoa
- 1989: Quebra-cabeça
- 1990: Carne Viva
- 1992: Isso aqui não é Gotham City
- 1993: Tigarigari
- 1994: Cavaleiro de Copas
- 1996: Desiderium
- 1997: A breve interrupção do fim
- 1999: Beijo nos olhos
- 2002: Sem lugar
- 2004: Mundo perfumado
- 2007: Geraldas e Avencas
- 2010: Adorno
- 2010: Videodança Lacuna
- 2011: Pequenos Atos de Rua
- 2012: Pó de Nuvens
- 2013: Só um pouco A.Normal
- 2014: Insthabilidade

Acesse:
www.primeiroato.com.br
Twitter do 1º Ato

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