Grupo Galpão: teatro popular e inteligente nas praças

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Grupo Galpão na montagem de Romeu e Julieta (Foto: Guto Muniz)
Grupo Galpão na montagem de Romeu e Julieta (Foto: Guto Muniz)
Em uma noite fria, com muita neblina, centenas de pessoas começam a chegar e se sentar nas escadarias da Praça do Papa. Mas o que estaria acontecendo para que tantas pessoas saíssem de suas casas para ficar ali naquele local? Mais uma apresentação do Grupo Galpão, que atrai multidões mesmo em condições climáticas não muito favoráveis. 

“BH é uma cidade que tem uma relação muito grande com o Galpão, nós somos muito queridos pelo público daqui”, afirma o ator e fundador do grupo Eduardo Moreira. Acostumado com espetáculos em praça pública, o Grupo leva cultura para milhares de pessoas de forma gratuita. Nascido na capital mineira, hoje, o grupo teatral é reconhecido como um dos melhores do país. 

Com tanto sucesso no Brasil, a carreira internacional aconteceu de forma espontânea. O Grupo Galpão teve suas peças projetadas em vários países do mundo, fazendo uma carreira respeitada também fora do país. Mesmo assim, em nenhum momento o grupo perdeu suas raízes mineiras. “Desde 1982, realizamos apresentações nas grandes praças de Belo Horizonte. Nossa maior alegria é apresentar na nossa cidade de origem. O público belo-horizontino vai ao delírio”, conta Moreira. 

E é em um antigo depósito de um bairro tradicional de Belo Horizonte, Sagrada Família, que o Grupo ensaia, cria e estuda teatro com toda devoção e merecimento que o teatro precisa para se consolidar em espetáculos capazes de contagiar o público com magia e simplicidade.

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Cronologia dos espetáculos do Grupo Galpão

1982: E a noiva não quer casar
1983: De olhos fechados e Ó procê vê
1985: Arlequim, servidor de tantos amores
1986: A comédia da esposa muda
1987: Foi por amor; Triunfo, um delírio barroco
1988: Corra enquanto é tempo
1990: Álbum de família
1991: Romeu e Julieta
1994: Rua da amargura
1997: Um moliére imaginário
1999: O partido
2000: Um trem chamado desejo
2003: O inspetor geral
2005: Um homem é um homem
2007: Pequenos milagres
2009: Till, a saga de um herói torto
2011: Tio Vânia e Eclipse

Sempre com o propósito de levar cultura, arte e diversão para o público, as apresentações do Grupo Galpão estimulam o envolvimento da plateia. Isso é o resultado de suas pesquisas de teatro de rua e por fazer teatro popular de linguagem fácil, porém inteligente. “Sempre procuramos mesclar o teatro popular com assuntos que fazem as pessoas pensarem. Nossas mensagens pretendem atingir todas as classes sociais, todo tipo de gente”, lembra Moreira. 

Além disso, o Galpão faz arte com vários elementos inusitados, com performances circenses e músicas tocadas ao vivo pelos próprios atores dos espetáculos. “Esse é o grande diferencial do Grupo Galpão. Nossos atores são multidisciplinares, todos tocam, atuam e demonstram a sua arte no palco”, finaliza.

História de pesquisa e realizações

Desde sua criação, o Grupo Galpão, iniciado pelos amigos Teuda Bara, Eduardo Moreira, Wanda Fernandes e Antônio Edson, tinha a preocupação de levar cultura para os espectadores. Sua primeira grande aparição em praça pública foi em novembro de 1982, no centro de Belo Horizonte, em um dos pontos mais charmosos da capital, a Praça Sete. De lá para cá eles ganharam as praças do Brasil e do mundo. 

Entre praças e casas de espetáculos, o Grupo vem-se mostrando inovador, ganhando excelência na arte de representar e, o mais importante, conquistando o carinho e a admiração do público. E como se já não bastasse para o Galpão, em abril de 2001, o Grupo que já tomava conta das grandes praças do mundo, conquista os telespectadores nacionais com a adaptação da peça “A Rua da Amargura”, pela Rede Globo de Televisão, e "A Paixão Segundo Ouro Preto", gravado no velho teatro e nas ruas da histórica cidade mineira, exibido na noite de Sexta-Feira Santa. 

A montagem de “A Rua da Amargura” conquistou mais de vinte prêmios entre eles os troféus Sharp, Molière, Shell e Mambembe de melhor espetáculo. Somente com essa peça, o grupo de atores se apresentou em vinte cidades brasileiras e em mais de sete países – Portugal, Espanha, Canadá, Costa Rica, Venezuela, Colômbia e Uruguai –  conquistando o feito de mais de 220 apresentações. 

O Galpão, com tantos anos no teatro, é um grupo muito significativo para Belo Horizonte. “Nós participamos intensamente da descoberta dos espaços públicos da capital. Fizemos o belo-horizontino tomar posse das belíssimas praças de BH”, afirma o ator, apaixonado pela cidade. Com quase 28 anos de pesquisa e dedicação à arte de emocionar o público, o Grupo ainda permanece sediado na cidade de Belo Horizonte. Hoje o Galpão viaja pelo mundo a fora levando alegria, imaginação, cultura e a paixão pelo teatro nascida bem aqui na capital.