Milhares de foliões seguem os blocos e tomam conta das ruas BH

Sábado, 1 Março, 2014

por: Assessoria de Comunicaçao

Martinho da Vila se apresenta no palco principal da Estação do Samba

 

Nem a chuva, que começou a cair no início da tarde de sábado (1º/03) de carnaval em Belo Horizonte, atrapalhou a concentração do Bloco da Calixto, no bairro Santo Antonio. Também não esfriou a folia na Savassi, que começou cedo com o Bem-te- Viuzinho, baile infantil, na Rua Fernandes Tourinho. E o mestre Martinho da Vila, com chuva, ou sem chuva, promete esquentar os corações e os pés dos foliões na Praça da Estação.
As ladeiras do Santo Antonio ficaram estreitas para a uma multidão de duas mil pessoas concentradas na esquina da Congonhas com Viçosa. Assim que São Pedro deu uma trégua, por volta de 14 e 30, o carro com a banda da cantora Aline Calixto começou a descer a Viçosa em direção à Praça da Savassi. Além da banda, com direito a guitarra, baixo e até cavaquinho, o bloco tinha uma bateria formada por 30 ritmistas, fantasiados de faraó. O tema do bloco foi África de Todos os Deuses.
Os foliões acompanharam o bloco até a esquina da Rua Alagoas com Avenida Cristóvão Colombo na Savassi, quando a chuva começou a engrossar novamente. Neste momento já eram cerca de 10 mil pessoas, segundo informação da produção do bloco. No local se dispersaram e se juntaram a outros grupos que já curtiam o Bloco do Bem Te Viu, Bem te Vê, na rua Fernandes Tourinho, ou simplesmente ficaram na praça aguardando a D. Jandira, primeira atração da noite no Palco da Estação do Samba da Savassi.
Para a Savassi também rumaram outros blocos e as ruas e avenidas ficaram tomadas por foliões bem antes de o show começar, por volta das 18 horas. Mais cedo, a partir das 11 horas, a criançada fez a festa no Bem Te Viuzinho, que teve até um concorrido fraldário. “A nossa proposta é dar infraestrutura para os pais e fazer um carnaval com civilidade”, explicou a produtora e cantora da banda, Ana Flávia Rodrigues.
A Corte Momesca marcou presença no Bem Te Vi e foi mais uma injeção de ânimo para incansáveis foliões. E a partir das 17h, a Banda Bem Te Vi, três guitarras, dois pedais, três percussões e três vocais, atacou com muito frevo, marchinhas e até rock.
No Palco Especial da Avenida Brasil, em Santa Efigênia, o Bloco do Approach elevou a temperatura e comandou a festa, que para o delírio dos foliões rendeu boas horas de diversão.
O mestre da Vila
“Vim conhecer o Carnaval de Belo Horizonte, que andava devagar, andava devagarinho...mas não está mais”, assim começou a entrevista de Martinho da Vila, no hotel em Belo Horizonte, algumas horas antes do show no Palco Especial da Praça da Estação.
Martinho falou sobre o fenômeno que surpreendeu as grandes cidades brasileiras - os blocos de rua, a apropriação do espaço público pelo folião. “Mesmo no Rio, isto está acontecendo muito forte, o bloco é mais livre, não precisa comprar fantasia, você inventa a fantasia e não precisa fazer ensaio. Na escola de samba é diferente, cada componente é um ator, tem um papel a representar”, explica o mestre.
Martinho da Vila começou no samba ainda bem jovem na extinta Escola Boca do Mato, no Rio de Janeiro. Ele relembra que na época a bateria tinha 80 integrantes e toda a escola tinha 400 componentes. “O Brasil cresceu, as cidades cresceram e hoje uma bateria tem o tamanho das antigas escolas, os blocos também estão grandes”.
Orgulhoso de ser um cidadão mineiro, o sambista explicou que este ano saiu para curtir o carnaval em outras cidades. De Belo Horizonte ele segue com agenda de shows em Recife e Olinda para recarregar baterias e quem sabe se inspirar para o Carnaval de 2015.
“Em um ano, trabalho na Unidos de Vila Isabel, no ano seguinte eu dou um tempo e vou conhecer outros carnavais, pode ser até uma inspiração. Na verdade eu tenho um enredo pronto sobre a Serra do Rola-Moça”, antecipou entre risos, o compositor. Martinho da Vila é autor de um livro inspirado no conhecido poema de Mário Andrade sobre a serra do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
E quanto ao show? “Bem alegre”, respondeu Martinho. “A função de quem está no palco é botar o público para se movimentar”, ensinou o mestre da Vila.